Digo, ocasionalmente, que o Brasil não conhece o Brasil. Quero dizer, não valorizamos o que aqui temos. Um exemplo, várias excelentes bandas acabam e ninguém fala coisa alguma. O que é comentado na “grande mídia”? Bem, se você fuçar muito a net poderá ler em “primeira” mão. Aqui, segue-se tendências importadas. Acontece que sou uma canibal vegetariana-quase-veggan e gosto de música com os ouvidos e não com os olhos – embora eu adore ir a shows. Diria com propriedade que sou “moderna” (e portanto uma mod, será???), mas moderna no sentido correto da palavra (n.r.: caso não tenha certeza, procurar definição no fim do texto.. ). Para mim, moderno é o Baudelaire, e é sem aspas.
O Laboratório SP acabou. Idem o FuzzFaces. E os Migalhas. E mais ainda, a maioria fez novas bandas. Quem falou? Quem ouviu? A fórmula aqui é junte um pouco de preguiça (é, o calor, é fato, a causa disso) e (outra coisa que gosto de dizer) falta de senso crítico. Senso crítico é voz. É filtrar, é olhar com os olhos e ouvir com os ouvidos. Com mais plenitude.
Os acima hoje são os Modulares, Hitchcocks, Sprint 77, consecutivamente.
Sim, tem mais. Os Haxixins detonaram na Europa, lançam em vinil na Europa e EUA e aqui? Coisa alguma.
Bem, aqui no Magazine, sim.
Ouça:
http:// www.myspace.com/modulares
http://www.myspace.com/sprint77sp
Moderno, Modernismo:
Bastardia, vulgaridade e boêmia - essa fórmula moderna segundo a qual arte e cultura se contaminavam sem perderem suas jurisdições respectivas - eram a um só tempo o subproduto da esfera pública burguesa e o que propriamente pressupunha o poder normativo desta; eram o que lhe testemunhava a universalidade, mas que ao mesmo tempo recomendava que esta deveria ser sempre repactuada, na exata medida em que a transgressão persistiria flanqueando-a à meia luz, de maneira apenas suficiente para obter um reconhecimento tácito. A arte moderna, pelo menos desde Courbet, sempre soube extrair seus resultados mais radicais dessa ambigüidade da esfera pública burguesa - haurindo nos materiais permissivos da vida popular, que entretanto apareciam como que criptografados sob a nova racionalidade técnica a que os artistas haviam reduzido o estilo (a esse respeito, seria interessante investigar a presença latente da cultura visual dos almanaques populares e dos clichês de jornais satíricos, digamos, na Olympia de Manet). Portanto, a idéia da cultura como instância de mediação entre a arte e o espaço social, como uma matéria "impura" mas viva e indispensável à arte, não era, historicamente, um fenômeno novo. O que se via, pela primeira vez naqueles anos 1980, isto sim, era a arte e a cultura irmanadas numa adesão recíproca perfeita, sem sobras - algo como uma síntese conservadora, um processo que finalmente atingira seu "absoluto" - ou, em outros termos, sua "resolução" positiva.
Mais em: http://novosestudos.uol.com.br/acervo/acervo_artigo.asp?idMateria=1261
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