Crudezza: THEE BUTCHERS' ORCHESTRA

 

C R U D E Z Z A ...................... Por Deborah Cassano

A Europa é quase do tamanho do Brasil. E cada país no velho continente é como se fosse um estado nessa terra brasilis. As diferenças culturais, lingüísticas e sociais são bem diversas. É fascinante.

O Crudezza aproveitou a tour do trio paulistano THEE BUTCHERS’ ORCHESTRA para mergulhar profundamente em território europeu.

Entrevistamos a banda ouvindo as opiniões pessoais sobre a cena underground européia, para abrir com esse aperitivo todo especial o nosso roteiro de bandas imperdíveis do velho continente, onde tudo é mais experiente e organizado. Isso nos encanta profundamente, enquanto a abordagem puramente criativa dos brasileiros é admirada por eles.

É com essas perspectivas que fazemos esse mergulho: liberdade, igualdade e fraternidade.

Prato Principal em cardápio internacional

entrevista feita em março de 2005, após a tour do trio, que foi de fins de novembro de 2004 até começinho de janeiro de 2005.

Crudezza: THEE BUTCHERS' ORCHESTRA parte O

 Crudezza: Primeiramente, por quais lugares viajaram na Europa?

Thee Butchers’ Orchestra: Tocamos em 7 paises: Holanda, Alemanha, Austria,Bélgica,Itália, Suiça e Eslovênia, sendo que em alguns desses países, tocamos em vários clubes diferentes.

 

 

C: Como foi a recepção de vocês lá? Já havia alguma expectativa, as pessoas estavam curiosas para ouvir o Thee Butchers’ Orchestra?

 TBO: Sim havia muita expectativa por parte do público e da mídia também,

Primeiramente porque o selo Voodoo Rhythm é o maior selo independente na Europa no momento. Segundo porque sempre tivemos nossos discos lançados nos Estados Unidos e isso ajudou muito pois a Estrus é uma gravadora bem conhecida nesse circuito. E terceiro sempre tivemos uma assessoria de imprensa que é feita pela nossa gravadora aqui no Brasil que é a Ordinary Recordings e sempre contamos com o trabalho do selo para fazer todo o trabalho de divulgação do grupo, aqui e no exterior.

 

 

C: Quais bandas tocaram e gostaram muito?

 TBO: tocamos com algumas bandas bem legais por lá: The Monsters, uma das melhores bandas de trash garage punk. Holze, um duo the bluespunk muito bom. Bronco and His Guitars, outro duo de Berlin muito bom e super sujo. Whatz Love uma banda que também é da gravadora Voodoo Rhythm e que conta com a participação de Delaney dos Dead Brothers. The Sillys, de Frankfurt, numa linha mais punk rock tipo Teengenerate. The Staggers, banda da Aústria que faz um som bem garage tradicional com farfisas e tudo mais. Titty Twister Orchestra, da Itália, uma super  big garage band tipo um Total Sound só que mais anos 50.

 

 

C: Como era o equipamento nas casas? Como funciona a organização de um show lá?

 TBO: Bom apesar do frio de 2, 0 ou às vezes menos graus, tínhamos nossa própria vã, novinha em folha, com toca cds, aquecimento e todo conforto necessário pra se fazer uma tour tão grande quanto a que fizemos. Tínhamos também nosso próprio equipamento e nosso técnico de som, o que nos garantiu um som incrível em todos os shows. Tivemos a sorte de trabalhar com um cara chamado Remco, que é um dos técnicos de som mais respeitados da Europa e faz turnês com bandas como Dirtbombs, Zodiac Killers, Reinigsound, Andre Willians e outros. Quanto as acomodações, ficávamos em hotéis bem bacanas que haviam sido arrumados pela gravadora, ou ainda na casa de amigos ou dos produtores locais. Tínhamos um cardápio bem variado mas na maior parte do tempo tentávamos comer o que fosse tradicional em cada lugar. O mesmo com as bebidas, além do vinho e cerveja, claro .

C: Pretende voltar?

TBO: Sim, temos uma outra tour marcada pra setembro de 2005. Vamos gravar nosso disco novo em Amsterdam, com produção de Remco Fryns, logo após o fim dessa turnê. 

 C: Teve histórias interessantes, cidades e shows espetaculares ou foi mediano?

 TBO: Temos toneladas de histórias muito boas em cada lugar, como no dia em que tomei um porre de vinho na Austria e acabei tocando guitarra, primeiro em cima do balcão, depois dentro do bar. Ou da briga que tivemos na Itália que custou uma perna quebrada ao nosso técnico de som e motorista. Sem contar que ele dirigiu de gesso mesmo. E quando quase congelamos em Berlim, ali onde era o muro. Ou ainda, na Suíça, que picharam nossa van e dai no dia seguinte fomos parados na fronteira pois acharam que éramos loucos ou freaks, por causa do que estava escrito, e até então, não tínhamos idéia do que era.

Crudezza: THEE BUTCHERS' ORCHESTRA, part 1

 C: Qual o maior público que tiveram na Europa?

 TBO: Acho que nosso maior público lá foi mais ou menos entre 800 a 1000 pessoas. Mas a base era de 250 mais ou menos 300. Dependendo do tamanho do clube.

 

 

C: Stop Talking About Music (let’s celebrate the shit) foi lançado pelo selo suiço Voodoo Rhythm. Existe algum contrato com a gravadora ou continuam independentes? Esse disco será lançado no Brasil? Quando?

 

TBO: Sem contratos! Nunca assinamos nenhum, sempre achamos que nossa música tem que ser livre.  Sim, o disco será lançado no Brasil pela Laja/Ordinary, em junho, se tudo der certo. E sim, sempre independentes acho que não custa lembrar que independência não é um estágio e sim uma opção!

 

 

C: Outro disco ainda esse ano? Vocês tem um ritmo super acelerado de lançamentos, por quê?

 

TBO: Nao, esse ano vamos só fazer o lançamento do Stop talking about Music aqui no Brasil e começar a compor nosso novo disco.

 

C: Mais turnês em outros continentes?

 

TBO: É provável que no próximo ano a gente tente ir ate o Japão ou EUA mas não temos nada certo ainda.

 

C: Dá para citar os projetos paralelos de vocês?

 

TBO: Estou mergulhado em vários projetos como The Uncle Butcher, que é meu lance como oneman band. The Blackhearts, um duo que tenho com Danny Diamod, de bluespunk. E os 44s, outro duo com Remco Fryns e que já está com um compacto pronto para ser lançado na Europa por um selo de Amsterdam, cidade onde nasceu esse projeto, enquanto estive vivendo por lá.

 

O Adriano está tocando com uma banda chamada Cansei de Ser Sexy. E também continua como Ultrasom. Tem o Vera Fisher e o I wanna Drinks. Fora seus projetos com música eletrônica.

 

O Jonas esteve um ano morando na Europa, mas antes der ir, estava tocando em uma banda chamada Jazzy e os Vendidos.

Crudezza: THEE BUTCHERS' ORCHESTRA, part 2

 

Sobremesa, parte 1

 

Entre várias das bandas supracitadas e algumas ainda não mencionadas, vamos começar nosso mergulho no underground garage punk blues rock and roll com quatro bandas, e na próxima edição, não perca a parte 2, com mais pérolas e surpresas.

 

HOLZE – Duo da Alemanha com voz, guitarra slide e bateria e voz. A banda favorita dos Butchers’ durante a tour. Blues anos 70, com quê de Bluecheers, HoneyMooon Killers... Uma banda que consegue criar muita intimidade com o púlico e a tem com a sua música energética e sempre em alto volume. Formação improvável que consegue uma sonoridade gorda e densa mesmo com poucos instrumentos. Passando pelo barulho do grunge setentão dos anos 90. Não consegui achar o site. 

 

 

ZZZ - Uma banda com estranha formação – órgão e bateria. O primeiro a mencionar essa banda foi o Daniel, que tocou bateria na tour com o TBO, que disse não ter acreditado no som que tiravam com apenas 2 instrumentos. E que o baterista era ótimo e ainda cantava muito bem.

Música gorda e densa, rápida e afiada, feita de forma primária. Duo vindo da Holanda possui um single lançado. Os órgãos sessentista se derretem por cima da chacina que é a voz e o peso e swing do baterista.  http://www.soundofzzz.nl/

 

STILETTOS – Mais holandeses, dessa vez um trio – guitarra, bateria , voz e gaita - com mais tempo de estrada, dois singles, vários splits, 3 álbuns e algumas participações em coletâneas. Punk rock com pegada rock and roll à la Stones. Tudo sujo, estridente, rápido, direto e reto. Uns fazendeiros holandeses freaks fazendo um show de altíssimo respeito.

http://www.stilettos.nl/

 

BIGGER BEEF BONANZAS – Trio de rock pesadão que o supracitado produtor Remzo tem com dois dos Stilettos, o baixista e um dos guitarristas. Nada lançado ainda mas já pronto para sair por um selo europeu. Ouça um pouco:

 

 

THE SKIDMARKS – Quarteto holandês de garage punk rock and roll. Três guitarras, um órgão ocasional, baixo, bateria e vocal e dois excelentes backing vocals. Um single e três álbuns lançados, tudo pela Crash Records. Participaram também de uma coletânea do selo Roullete’s Records.

Mais infos: http://www.skidmarks.nl/

 

 

Na próxima edição, mais bandas européias. Tem que ter curiosidade e abrir os ouvidos para tudo que é feito no mundo. Rock and roll é mais que uma língua em comum, é uma forma de ver e pensar o mundo.

 

Meu amor ao Billy Guitar Wolf! A real cool wolf!

 

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